17 setembro, 2014

COMPLEXO MULTIUSO DE PARAUAPEBAS





Não é um bom negocio, eu não construiria tudo isto neste momento...


Somos doutores em Parauapebas. Há mais de vinte anos estamos aqui, estudando, publicando, cruzando dados nacionais e internacionais com o desenvolvimento da cidade. Elaboramos um plano de governo inovador e temos claro o que pode ser o distrito industrial e seu cruzamento com o novo sistema de produção da cidade. Não entendemos como estes grupos decidem investir montanhas de recursos na cidade. Shopping Partage Parauapebas, Edifício Recap, Shopping Eldorado, Edifico Village, Nova Carajás, Buriti e tantas asneiras e desperdício econômicos. Estou falando de empresas e  pessoas que perderam suas economias e credibilidade. Desdenham nosso conhecimento local. Ocorre que mais de um milhão de duzentas mil pessoas, as vezes até cem mil acessos diários, consolidam nossa consultoria nacionalmente. E estes grupos entram, perdem e se vão sem usar nosso conhecimento, nossa expertise. Faz parte do processo de suas perdas. Vamos falar de mais uma possível delas.








Infelizmente voltamos a comentar nestas paginas mais um investimento furado em Parauapebas. Parece leviandade que uma empresa séria, ancorada em investidores sérios, possa acreditar e ate tentar vender a ideia de que é um bom negocio um complexo multiuso nesta cidade em vias de extinção. Não sei se estão conseguindo vender, podem ate estar, mas acredito que na base do financiamento. Outros empreendedores chegaram antes e beberam a agua limpa, agora com o abandono crescente da cidade pela VALE, que nem departamento de compras tem aqui, com as empresas sobreviventes lutando para não definharem e grande parcela da população devendo até os pelos do ... acho muito difícil que consigam realizar parcelas do ganho da BURITI, LEOLAR E OUTROS.

Acredito que a BURITI, a NOVA CARAJÁS, já estejam amargando pesados prejuízos, nem falando da WTORRE, para quem prestamos consultoria e avisamos das possíveis perdas maciças que sofreriam. O modelo de negocio da BURITI é de grande risco. Vendem terrenos financiados,  acreditando  que a precária infraestrutura que oferecem, logo que definharem, serão repassadas  e aceitas pelos tolos e tontos prefeitos dos burgos atrasados do interior do Pará e do Brasil. Estão tentando em Parauapebas. Tolo desse prefeito tonto se aceitar. Permitiram que a Buriti triplicasse o espaço urbano, investindo numa infraestrutura mal feita, precária. Sem licenças ambientais, sem considerar a natureza, sem respeitar o meio ambiente, animais, plantas, bichos. Mataram qualquer possibilidade de civilizarmos a planta urbana da cidade jovem. Aumentaram exponencialmente a impossibilidade de universalizar agua, esgoto, escolas, praças.  Tudo feito mediante acordos corruptos, troca de propinas e favores. Vereadores tem quadras inteiras. Funcionários receberem gratuitamente lotes que todos nós pagamos. Muito erro, muita corrupção, muita falsidade.

Agora penam, estão deixando de receber, as mensalidades com o estúpido fator de valorização dos terrenos totalmente inconstitucional, voltam aos milhares, com clientes inadimplentes que não podem pagar. Não houve estudo ou analise atuarial. Não houve compilação de cenários ou pensaram na inserção de teorias e modelos de desenvolvimento regional. Apenas compraram terras baratas, implementaram uma estrutura banal e venderam aos milhares de idiotas não precavidos e sem compreensão dos sinais de esgotamento do modelo empregador da VALE na cidade de Parauapebas. Parece combinado, mas quando os trabalhadores e os tais “sábios investidores pioneiros”, sem planejamento, sem analises, apenas acreditado no seu “faro” para grandes ganhos, acorreram e compraram quadras inteiras, iniciando imediatamente construções e mais construções, com material  e sobre terreno comprados no financiamento. Muitos nas primeiras prestações foram demitidos e ao procurarem emprego logo perceberam que algo diferente estava acontecendo. Outros, ao terem dificuldade de honrar as prestações na data certa, ao perceberem seu acumulo, porque sua atividade econômica entrou em recessão, pensaram em sair logo do negocio. Tenho centenas de clientes que perderam e estão perdendo seu patrimônio. Há quarteirões inteiros na cidade com placa de aluga-se ou vende-se. Nem um nem outro e será assim de 2013 para a frente. Não teremos mais a vitalidade econômica que fazia os trens da VALE descarregar gente como se fosse tijolos. Mudou o cenário econômico da região. Mudou a VALE e sua politica regional. Agora é colher os frutos e não mais replantar. Acabou a era do minério farto, de boa qualidade e barato. Esta ficando a cada dia, e num cenário global, mais barato. A China fartou-se.

E no cenário nacional o Brasil esta tecnicamente em recessão branda. Tende a piorar, mesmo porque a politica econômica nacional, inaugurada na era do Lula, já se esgotou. Sua seguidora não tem alternativas e apenas apresenta uma politica caolha de incentivos a setores específicos e localizados. Não funciona numa nação de empresários bandidos. E de políticos ignorantes. A recessão nacional será duradoura e não teremos a quem recorrer, o mundo ainda esta doente, há respingos e febre da crise de 2008. Portanto, como se pode fazer lançamentos imobiliários no interior do pais, em estados atrasados e esgotados como o Pará? Falta de visão, cartomancia, golpe, plano de negócios mal elaborado, algum segredo que não sabemos?

O fato é que este Bristol Parauapebas Suítes Hotel mais parece uma piada, diante da situação imobiliária e hoteleira que se encontra hoje Parauapebas. Pelos motivos elencados acima e pelas possibilidades futuras da cidade. Não temos governo ou plano de médio, longo prazos de desenvolvimento. Não temos infraestrutura básica, como água, esgoto, coleta confiável de lixo, energia elétrica confiável e nem internet. Não temos movimentação financeira ou massa de ganhos que justifique um empreendimento desse porte.


E não é um empreendimento do nível que pretende vender. Ao analisar as plantas disponibilizadas no site,  logo percebemos uma edificação acanhada, restrita, com  materiais inadequados para a variação climática da região. Erros como cometeram a WTorre e o Urbia, ao construírem seus sonhos pueris na cidade. Grandes fachadas de vidro temperado apenas aumentam a insolação, a claridade e o aumento da sensação térmica interna, exigindo pesados custos de refrigeração durante 24 horas. O valor do condomínio será alto, talvez no mesmo nível que esta inviabilizando o retorno financeiro das lojas no shopping. O revestimento externo é inadequado e logo sofrerá a ação do tempo, altamente úmido no inverno e muito quente e seco no verão.  Como não temos coleta de lixo e nem tratamento de esgoto, será demandando a coleta por caminhões e descarga, gerando um desconforto típico de interior, não conhecido pelos gestores do empreendimento e nem desejado pelos proprietários idiotas. O sistema elétrico necessitara de cara estação privada, ainda sujeita a manutenções caras e regulares. É como acontece hoje com o shopping, a mesma coisa. Serão custos semelhantes,  apenas exponenciados pelo tamanho e verticalidade das Suítes. 

E por mais que eu tente compreender, como um incorporador pode propor suítes de luxo e super luxo num condomínio misto, comercial e residencial, ainda mais numa cidade suja, violenta e grosseira como Parauapebas. Será uma ilha? E ilhas custam muito caro. Parece piração de gente de fora, que não contrata estudos pormenorizados e locais antes de fazer um lançamento desse porte. Apesar de demonstrar luxo, não publicou memorial descritivo das obras, não apresentou no site plano de construção, referencia para conferencia da documentação, créditos dos investidores proprietários, histórico de negócios, estudos de viabilidade, bancos associados e cronograma físico-financeiro prévio do empreendimento. De luxo ou super luxo, não é. A área é pequena, não é uma construção alternativa, não apresenta carta de intenções inovadoras e econômicas, como sistema de aproveitamento da agua das chuvas, energias alternativas não foram contempladas e mesmo sistema confiável de tratamento de dejetos ou manutenção do landscape.

Vão perder dinheiro, quem construir e quem comprar. Nossa recomendação é para a sociedade de Parauapebas não comprar. Devem exigir, antes da compra,  a estratégia de ocupação e viabilidade do empreendimento, numa cidade sem renda, altamente endividada e com sua única atividade econômica aparentando fortes sinais de esgotamento. Eu investiria meus recursos em Goiânia, Belo Horizonte, interior de São Paulo ou periferia de São Luís e Recife. Aqui não. Vivemos em 2013 um momento reestruturante. Não sabemos mais qual a capacidade de Parauapebas continuar crescendo. E há hotéis demais, salas demais, lojas demais desocupadas. E terra baratas, muitos lotes já financiados sendo devolvidos. Ficarão como estão os investidores do edifício Recap? Os lojistas do Shopping? Eu não faria negocio e se fosse os empreendedores, pensaria duas vezes em investir tanto aqui. Revia meu plano de negócios e pensaria bastante na taxa e tempo de retorno. Para quem comprar, é furada. Para quem se endividar ou usar reservas para construir e vender, é burrice.


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