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03 junho, 2015

Pilhagem, corrupção e repressão. Como o GAECO abordou criminosos e disseminou o medo em Parauapebas.

ARMAGEDON




Logo nas primeiras horas da dia 26 de maio a mansão do prefeito nas cercanias de Parauapebas é invadida por agentes policiais comandados pelo temido GAEGO. O prefeito solitário e sua concubina são surpreendidos ainda bem cedo por policiais fortemente armados a procura de armas,  documentos, dinheiro e com a possibilidade de sua prisão ser decretada.

Imediatamente ele repassa na memoria quantas vezes foi alertado sobre procuradores, contratos milionários sem licitação, campanhas politicas ilegais e toda sorte de permissividade com dinheiro publico que fora realizado em seu combalido governo. A menor delas, a desapropriação de uma casa do vereador Devanir  por R$794.000,00 em maio de 2014 é o que vem a tona primeiro. Poxa, comprou vereadores, procuradores e juízes e mesmo assim esta cercado e sozinho?

Sozinho e aturdido vê seus  sonhos e plano desmoronar-se. Ninguém é chamado e ele assiste inerme a devassa da sua mansão. Seu velho coração chora a cada descoberta da policia, ele lamenta em silencio ter expulsado seus amigos e se arrepende dos conselhos  que ouviu e seguiu submisso, de sua  esperta concubina Glaucia e seu conselheiro duplo Vanterlor. Onde mesmo eles estarão agora?
Lembra ainda da blindagem obtida de Simão Jatene. Que, como governador nem sabia dos riscos reais que seu agora pupilo corria. Há justiça ainda, mesmo que seja pouquinha no Pará. Não sabe ele que neste instante, seu principal esteio na Câmara dos Vereadores  esta sendo preso, será levado para o presidio de Americana em Belém. Odilon preso é uma porrada na impunidade que grassa em Parauapebas. E neste governo e nos governos anteriores, Bel, Darci.  E nos crimes cometidos a vida inteira, o convencimento de que a justiça jamais o alcançaria. Preso Odilon, preso o comerciante que emitia notas superfaturadas e preso Arenes, este talvez derrubado pelos seus. O fato é que todos ameaçados desde o começo disso tudo, portam armas de fogo. E usam as mesmas táticas de Valmir, comprando pessoas e corrompendo, antes mesmo de chegarem ao poder. Lamento pelo transtorno do Arenes, mas tudo ficou mais dramático.

Sabemos que dois dos vereadores que vitaminaram o G5 não são flores que se cheirem: Josineto e Luzinete não estão neste grupo por convicção. Jamais fariam mudança de lado pelo simples fato de ser o certo. Ambos estão enrolados com dinheiro publico e com a lei e certamente cooptados.

Procurei o necessário distanciamento, dando tempo ao tempo para deixar este registro para a posteridade. Atenção: os acontecimentos em Parauapebas naquela semana são historia. Nunca vimos isto antes. Um ARMAGEDON, com 10 bombas de nêutrons lançadas há tempos atrás e detonadas no peito do resiliente Valmir da Integral. Estas bombas não foram lançadas ao acaso. Esta batalha épica e histórica começou lá atrás, quando Ângela foi a Câmara dos Vereadores romper com este prefeito. Aquele discurso e a postura despercebida dos cinco vereadores do  então  G5 demarcavam um território e uma luta sem volta: iriamos destruir a falácia, a roubalheira, os golpes e o equivoco da gestão atual. Não teria volta porque estas pessoas estavam envolvidas numa questão pessoal, de vida ou morte. Tinha-se um objetivo claro, uma finalidade.

O mais importante, havia um pensador e estrategista, sob planejamento restrito com metas e objetivos. Desde então  sabíamos que a luta seria desigual, terrível e que teria mortes possivelmente. Afinal, a luta seria contra um grupo poderoso, armado e bilionário. E sem temor algum pelo judiciário, até então se sabia que qualquer juiz ou promotor, ou procurador estaria a venda. O MPE nunca existiu em Parauapebas. Certa vez, eu e a Ângela fomos procurar a repartição para saber como andavam o resultado das denuncias. Na pessoa de vice-prefeita, a reunião parecia mais um pedido de desculpas. A procuradora local sequer parou de digitar seus processos para responder nossas perguntas. Não dava nenhuma importância. Perguntou se sabíamos onde estava o dinheiro, que assim ela o tomaria, causando perdas e eles se consertariam. Foi terrível. Nesta altura, a CPI da saúde já estava instalada e trabalhando. Mas o  fato do MPE não existir nesta cidade sitiada não poderia deter aqueles que se reuniram para tomar o governo. Havia no seio desse importante órgão de vigilância, as naturais diferenças de posicionamento, muito bem colocadas pelo jovem e sábio advogado Cláudio. E foram estas discrepâncias que levaram documentação e ações para o MPE em Belém. Iniciaria ali o  fim da trégua à corrupção e desmando em Parauapebas.

Porque Darci, Bel não passaram por esta correção? Seria seus grupos e partidos? Ou seria uma “sabedoria” em manter os seus e roubar de forma mais discreta? Porque furto, roubo, desvio, as auditorias descobrem sem esforços. Porque então este governo atual cai de forma tão fragorosa e desmoralizante?
Em primeiro lugar a poderosa estratégia implementada. Reunir os grupos de descontentes e compromissados como  base real de poder – o Conselho Municipal de Saúde, os vereadores e a vice-prefeita. Pronto, embalados tudo num discurso e posição oposicionista, seria uma questão de tempo para os resultados advirem. Milhares de horas foram gastas em reuniões intermináveis. A estratégia da CPI da Saúde em confrontar provas documentais e pessoas, em chamar as evidencias nas reuniões plenárias começaram a definir e levar para as cordas o orgulhoso governo “empresarial”. E sobretudo, a envergadura  do gabinete da vice-prefeita, na sua postura intransigente de não aceitar o isolamento, a humilhação imposta pelo executivo. Os grupos foram reunidos em encontros, discussões, ação e metas. Na metade dos trabalhos da CPI da Saúde o governo começou a capitular. Já havia a rejeição de todas as contas do perverso secretaria de saúde, Dr. Romulo. Acuado pelos péssimos serviços prestados e pelo impasse em obras superfaturadas e construções para nada, ele é forçado a retirar-se de cena, imputando ao governo uma grave e decisiva derrota para nosso grupo de oposição.

Quando ainda pode, não havia ninguém do lado de Valmir. Cercado por incompetentes e arrogantes “secretários” de merda, advogados  e procuradores que perderam o rumo, nunca retaliou à altura. Assistiu suas bases serem forçadas, sacudidas e finalmente a colapso sem enfrentar uma estratégia que saltava aos olhos de todos.

Diga-se de passagem, até hoje nenhum governo local sofreu a pressão e a determinação forte de um grupo preparado, organizado e determinado como este. A estrutura do grupo baseou-se na organização documental, social e jurídica. Os três grupos fundamentais para romper o poder do bilhão não aceitou propostas, não negociou, não recuou. Mesmo com o assassinato do Dr. Jakson, que  estava com ações  contra o governo, não fez parar a maquina opositora.

Em segundo lugar os péssimos, incompetentes e arrogantes secretários e adjuntos agregados por Valmir da Integral. Mesmo  sabendo que havia seis  deles empenhados em criar e manter um governo paralelo, mesmo sabendo que o  esquema de Zé Rinaldo seria mantido pela presença e ação da Mendes, mesmo sabendo quem era Agenor e o resultado de suas ações, mesmo entendendo o quão pernicioso e ladrão era o Dr. Romulo na Saúde, mesmo conhecendo a fundo seu dileto secretario de obras – Queiroga e infelizmente mesmo entendendo o poder nefasto de Glaucia e seu companheiro o  Vanterlor – que inclusive era o negociador dos vereadores e do gabinete do prefeito, conhecendo quem era Zé de Fátima, seu “chefe de Gabinete” agora na SAAEP, utilizando os conhecimentos de Sergel, como todos que passaram por lá e o pior, sabendo que o procurador Marconi fazia e aprontava, que era um ignorante em matéria de poder publico e que fazia o que bem lhe cabia, Valmir da Integral apenas acenava o cabeção, encantado com as formas opulentas de sua concubina, com as exigências de seus filhos e com a ação acintosamente criminosa de Leudicy Brandão, de Zoenio e sua  ação perseguidora das casas e bares noturnos, das negociatas de Semurb, Claudio Almeida e companhia, tribunal de contas dos municípios, Gesmar, Gilmar e todos que percebendo sua total ignorância da coisa publica, se refestelaram e fizeram o que quiseram com os recursos pelos quais ele fora eleito para preservar e multiplicar.

O pior, seu papagaio alienígena, Wander Nepomuceno. Com sua ignorância e salto alto, brigando com todos , agora com sua azeda antipatia, apenas recebendo recursos do município, sem projetos, sem saída, apenas mais um rato, um bandido escondido próximo ao velho prefeito.

Agora, praticamente ex-prefeito de Parauapebas.

Assistimos sem satisfação um réquiem ao  Armagedon: a cidade sendo destruída aos poucos, uma luta titânica que paralisou tudo, que fez de Parauapebas uma praça abandonada, de morte e de tripudio de infiéis gananciosos. Os secretários, à exceção de um, dois, não merecem perdão. Foram coniventes, calaram ou fizeram seu  butim. Levaram para casa o que não lhes pertencia. São cumplices do  maior desgoverno da historia local e disso devem se envergonhar  pelo que lhes restam de vida. A grande maioria dos que foram demitidos estavam roubando. Desses que ficaram, todos estão envolvidos nisto ou aquilo de ilegal, de roubo qualificado, de corrupção. A maquina extensa e poderosa de arrecadação viu sua receita minguar e deixar os pagamentos nas mãos de quem sempre retirou o seu de forma ilegal, cobrando de empresas taxas para receber por seu serviços, empregando táticas de compras fantasmas, ajudando empresários a furtar, a entregar menos e levar mais, a embrulhar a comunidade num manto de perdas – Mendes e sua turma, come  estrutura consolidada desde os tempos do malandro prefeito, Darci Lermen.

Todos os homens de valor, os realmente interessados foram afastados.

As quadrilhas de real poder jamais foram afetadas neste dois anos e meio de Valmir da Integral. Estão todos lá, em postos chave. Até o grupo dispensado quando da queda da Geiza, a nova secretaria Juliana trouxe de volta, num claro acinte a norma e ao respeito publico. Sabotou a primeira tentativa de Valmir fazer o correto. Porteiras abertas, vieram e foram tantos outros que nem cabe e nem merecem citações. A ousadia de poderem fazer o que bem queriam, fraudar licitações, entregar obras e serviços sem o processo legal, comprar  equipamentos e serviços para populações bem maiores – caso das UPAS e do Centro de Zoonoses, se apropriar de obras e construções que jamais tiveram capacidade de propor e mesmo propor projetos e planos faraônicos como orla, o novo centro administrativo, a capela de Niemayer, os BRTs e tanta loucura já demonstravam o caráter duvidoso desse governo.

A câmara de vereadores esta pagando o que deve. Josineto funcionou como lacaio e ladrão. No seu tempo, ele, Odilon, Devanir, Major, Brás, Miquinha e Euzébio obtiveram vantagens e fizeram grandes negócios com Valmir  da Integral. Cometeram crimes e se enrolaram com o executivo. Estes vereadores jamais mereceram a confiança depositada neles pela população. Canalhas como são, aproveitaram  as oportunidades que o incapacitado prefeito lhes oferecia. Com a ajuda providencial de Glaucia e de Vanterlor, se locupletaram com a inexperiência e a maldade do velho prefeito. Para estes vereadores, a prisão de Odilon é apenas o inicio de uma nova relação desses com a justiça. Vão responder, outros serão presos, outros terão que devolver bens e recursos a prefeitura. Se enrolaram, porque não puderam fazer o que lhes era de direito: legislar, monitorar, controlar gastos e propor orçamento. Quiseram cargos e poder executivo, bandidos que são. O gabinete de Valmir era ocupado diariamente por vereadores de forma opressiva e ultrajante. Como já descrevi aqui, assisti a inúmeros atos da gestão que foram cometidos mais pela brutalidade e ignorância, do que pelo real desejo de governar. Tudo era permitido, nada era necessário ser legal. E todos os que ainda estão na gestão são cúmplices disso, todos aproveitaram e pressionaram para ser assim.

Toda a relação “comercial” e de interesse privado dos vereadores com o prefeito – cita a desapropriação da casa do Devanir, a compra da área da Mactra por R$2.113.900,00, propriedade do vereador Major da Mactra, a entrega das secretarias para Odilon, Devanir, Maquivalda e tantas benesses e repasses criminosos, é assunto e tema de investigação, tipificação, crime, punição.
Retornando a ação espetacular do  GAECO com seus 17 mandatos de busca e apreensão, seus três mandados de prisão, faltou perante tantas provas e documentos apresentados, a prisão do prefeito. Como não prender um homem que permite, assina e estimula tantos crimes contra o patrimônio publico? E como não foram  presos os outros empresários e grupos de poder que ajudaram o prefeito a roubar tanto e de forma tão acintosa? Será possível que ainda veremos este governo terminar seu mandato para algo acontecer? Como serão feito as coisas, se a Flavia  opera na alta, cobrando propinas, fazendo compras ilegais, ganhando nosso dinheiro de forma extra e ilegal? Por quanto tempo ainda vamos ver a Mendes, a Fabiana e o  Agenor fazerem compras ilegais, sem a entrega dos  serviços ou mercadorias mesmo numa situação de penúria econômica para a cidade? Por quanto tempo ainda teremos que ver a saúde matando, as pessoas sendo perseguidas e a possibilidade de mais mortes e assassinatos acontecerem para se finalmente alguma coisa seria e definitiva ser feita?

A quadrilha ainda esta intacta e operando. Não acabou nada. Enquanto eles tiverem acesso aos recursos vão usar. Não temem nada.

Tem que haver uma intervenção. A sucessão pela vice-prefeita e sua posse imediata ou o governo pelo presidente da câmara mais convocação de novas eleições ou a intervenção do estado para evitar a desagregação da cidade. Mas manter Valmir da Integral, sendo provado sua real incapacidade de gestão  é irresponsabilidade da lei, da ordem, do governador ou de quem quer que seja. Esta ação não parou nada e nem vai parar, enquanto se mantiver os operadores e a quadrilha com a mão na botija. Algo precisa ser feito.

Todos acreditam que muito esta por acontecer. O grupo no poder é arrogante, incompetente e sem estratégia. Perdido desde a posse, não tem capacidade de reação, não podem oferecer a sociedade uma alternativa. Compromissado com o errado, seriam incapazes de promover uma cura, uma delação do gestor e seu procedimento administrativos de isenção. Não seria possível.

A câmara dos vereadores esfacelada pela corrupção e interesses executivos não tem capacidade de reação. Poderiam tomar o poder para si. Se tivessem um projeto de salvação esta câmara combalida poderia se recuperar dando uma lição de moralidade administrativa. Pena que não tem a força necessária nem moral. Vamos aguardar.