Twitter Feed Facebook Google Plus Youtube

23 maio, 2014

Vale obtém licença ambiental para projeto de minério


Projeto S11D é o maior da história da Vale e também o maior da indústria de minério de ferro, e a principal alavanca de crescimento da capacidade de produção da companhia
A  Vale informa que recebeu a licença prévia (LP) para o projeto de minério de ferro Carajás S11D, emitida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Conforme o fato relevante, a LP faz parte da primeira fase de licenciamento do empreendimento e atesta sua viabilidade ambiental.
Ainda segundo o comunicado, o S11D é o maior projeto da história da Vale e também o maior da indústria de minério de ferro, constituindo-se na principal alavanca de crescimento da capacidade de produção e da manutenção da liderança da companhia no mercado global em termos de volume, custo e qualidade.
Localizado na serra sul de Carajás, no Pará, com investimento previsto de US$ 8,039 bilhões para o desenvolvimento de mina e usina de processamento, o projeto tem capacidade nominal de 90 milhões de toneladas métricas anuais (Mtpa) de minério de ferro com teor médio de ferro de 66,48% e baixa concentração de impurezas.
A entrada em operação está prevista para o segundo semestre de 2016. O S11D será acompanhado por investimento em infraestrutura de logística (na estrada de ferro Carajás e terminal marítimo de Ponta da Madeira) estimado em US$ 11,4 bilhões, o que permitirá, após sua conclusão, a movimentação de 230 Mtpa de minério de ferro.
Com a aplicação do conceito de mineração sem caminhões, os caminhões fora-de-estrada serão substituídos por uma estrutura composta por escavadeiras e britadores móveis que irão extrair o minério de ferro e alimentar correias transportadoras que farão o transporte até a usina de beneficiamento.
Segundo a Vale, o processamento do minério de ferro a partir da umidade natural (sem acréscimo de água) é outra tecnologia que mitigará os impactos ambientais. "Essa técnica elimina a geração de rejeitos com o máximo de aproveitamento do minério, pois as partículas mais finas, que seriam eliminadas no processo convencional, misturam-se ao produto final", explica a empresa, no fato relevante.
Conforme o comunicado, quando estiverem operando a mina e a usina do S11D produzirão com economia de 93% e 77%, respectivamente, no consumo de água e combustível, possibilitando a redução de 50% na emissão de gases de efeito estufa, quando comparado aos métodos convencionais.
O processamento a seco permitirá também a redução do consumo de energia elétrica em 18 mil MW ao ano e a eliminação do uso de barragem de rejeito, minimizando a intervenção em ambientes nativos.
A Vale diz ainda que "Carajás oferece a melhor plataforma de crescimento de minério de ferro no mundo, combinando substancial volume de reservas provadas e prováveis, 4,239 bilhões de toneladas métricas, e baixo custo operacional resultante da alta qualidade do depósito mineral e do eficiente sistema logístico para transporte a longa distância".
"O projeto S11D estabelecerá base para a construção ao longo do tempo de novas plataformas de criação de valor mediante desenvolvimento de projetos brownfield de baixo custo de investimento, dando sustentação à manutenção no longo prazo da liderança da Vale no mercado global de minério de ferro", afirma a companhia.
"O minério de ferro de alta qualidade de Carajás apresenta menores custos operacionais e valor em uso superior para a indústria do aço, pois implica maior produtividade e menor consumo de combustível e emissões de carbono, o que magnifica a sensibilidade da demanda global à expansão da produção do metal e contribui para a sustentabilidade ao longo da cadeia produtiva", acrescenta.
A mineradora ressalta também que "o aumento de produção de minério de ferro de alta qualidade está em linha com a estratégia da Vale de crescimento e criação de valor sustentável baseado numa plataforma de ativos de classe mundial, gestão ativa de portfólio e disciplina na alocação de capital".
Conforme a empresa, o passo seguinte no processo de licenciamento ambiental é a obtenção da licença de instalação (LI), o que viabilizará o início das obras de construção da usina.
Vale obtém licença ambiental prévia para
bilionário projeto em Carajás
Mineradora diz que projeto para produção de 90 milhões de toneladas métricas anuais de ferro é o maior de sua história e também o maior da indústria do ferro
EFE | 27/06/2012 15:42:05


Salviano Machado - Licença do IBAMA garante viabilidade ambiental, mas não é a única necessária para tocar o projeto
A companhia Vale informou nesta quarta-feira que obteve uma licença ambiental prévia para desenvolver seu ambicioso projeto Carajás S11D, que compreende a criação de uma mina de ferro e uma grande usina de processamento de minério ferro na serra sul de Carajás, no Pará.





A Vale considera este projeto, que inicialmente terá capacidade de produzir 90 milhões de toneladas métricas anuais de ferro, como o maior projeto da história da companhia e também o maior da indústria de minério de ferro.
"O projeto constitui nossa principal garantia de crescimento da capacidade de produção e de conservação da liderança no mercado global em termos de volume, custo e qualidade", informou a companhia em comunicado.
Tida como a maior produtora e exportadora mundial de ferro, a Vale esclareceu que licença prévia concedida pelo IBAMA garante a viabilidade ambiental de Carajás S11D, mas não é a única necessária para dar início ao projeto, que contará com um investimento de US$ 8,039 bilhões.
O S11D será acompanhado por investimentos de infraestrutura e logística avaliados em US$ 11,4 bilhões, que incluem a estrada de ferro Carajás e o terminal marítimo de Ponta da Madeira, que terá capacidade para movimentar até 230 milhões de toneladas métricas anuais de ferro.
Para obter essa licença ambiental prévia, a Vale se comprometeu a adotar soluções tecnológicas que possam garantir o uso sustentável dos recursos naturais e a redução das emissões de gases poluentes. Essas tecnologias, segundo a empresa, permitirão que o projeto opere com uma economia de 93% no consumo de água e de 77% no consumo de combustíveis, o que, por sua vez, garantirá uma redução de 50% na emissão de gases.

Mineração em Carajás expõe dilema entre desenvolvimento e preservação
Vale investe em ações sustentáveis e fiscalização ao explorar minério de ferro, mas cavernas históricas correm risco
BBC | 21/06/2012 10:57:01 - Atualizada às 21/06/2012 10:59:54
Enquanto líderes de dezenas de países se reúnem no Rio de Janeiro para discutir desenvolvimento sustentável, um pedaço de Floresta Amazônica revela as dificuldades de se traduzir essas idéias em ações.
Na Serra de Carajás, no Pará, em meio a 400 mil hectares de mata virgem, a mineradora Vale explora, desde 1985, as ricas jazidas de minério de ferro da região.
No ano passado, foram extraídos quase 110 milhões de toneladas, quase tudo para atender ao crescimento da China e outros países asiáticos.
Ao mesmo tempo, nos últimos anos, milhares de cavernas foram descobertas na região, segundo pesquisadores, exemplares raros e pouco conhecidos pela ciência.
Em uma delas, foram encontrados vestígios de ocupações nômades de mais de 9 mil anos, uma descoberta que ajudou os arqueólogos a montarem o quebra-cabeça da pré-história da região.
O problema é que essas cavernas se encontram em áreas riquíssimas em ferro, e dentro dos planos de expansão da empresa.
"As cavernas bloqueiam o avanço da mineração, tanto que até a legislação já foi mudada. Antes, qualquer caverna era protegida, agora, é preciso estabelecer a relevância, de acordo com mais de 20 critérios", afirmou à BBC Brasil o chefe da Floresta Nacional de Carajás, Frederico Drumond Martins, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Repletas de espécies pouco estudadas e milhares de morcegos, de diversas espécies, as cavernas de minério de ferro são também um enorme atrativo para pesquisadores.
"Em congressos no exterior, nossos colegas ficam perplexos. Existe pouca literatura acadêmica sobre este tipo de formação", afirmou a espeleóloga Maria de Jesus Almeida, da Fundação Casa da Cultura de Marabá.
Ações sustentáveis
Por outro lado, a demanda por minério de ferro no Brasil e no mundo não para de crescer, e a Vale tem todo o interesse em continuar na liderança deste mercado.
Para isso, além de sua evidente atuação na mineração, a empresa tem investido em sustentabilidade.
"Nós somos uma empresa de mineração. Então, temos que aceitar que existe um impacto na natureza. Mas nós também fazemos muito pela conservação. Em Carajás, por exemplo, usamos apenas cerca de 3% da área total", afirmou a diretora de sustentabilidade da empresa, Giane Zimmer.
A empresa paga um exército de 80 fiscais florestais, além de equipamentos e suporte às atividades do ICMBio para proteger uma área maior que a Floresta Nacional, com 1,2 milhão de hectares.
A Vale também mantém um parque zoo-botânico em Carajás, aberto à população local, com animais e plantas amazônicas, além de sinalização de trilhas e recomposição de florestas ao fim do ciclo de mineração.
Para isso, foi criado um viveiro de espécies amazônicas em Carajás, que atualmente conta com 21 mil mudas.
A empresa afirma ter importantes estudos na área de reflorestamento e Giane Zimmer diz ter confiança de que é possível recuperar as áreas mineradas.
No entanto, a resposta definitiva só deve ser dada dentro de 30 a 50 anos, uma vez que a primeira das quatro minas em operação em Carajás deve ser fechada definitivamente apenas em 2030.
Ou seja, pelo menos neste pedaço de Floresta Amazônica a prova real da viabilidade de uma operação de mineração sustentável provavelmente ficará em aberto até uma eventual "Rio+100".
O dilema entre conservação e exploração de recursos naturais é um dos temas da conferência ambiental Rio+20, prevista para terminar nesta sexta-feira, com um texto-base de compromissos com metas de desenvolvimento sustentável.
No entanto, o documento acordado em plenária é considerado brando na adoção de compromissos concretos dos países signatários.
(Por Eric Brücher Camara, enviado especial da BBC Brasil a Carajás)
Máquinas gigantes e paisagem marciana nas minas de ferro da Vale
Duas coisas saltam aos olhos dos visitantes de primeira viagem: a poeira avermelhada que cobre tudo e os equipamentos enormes
Gustavo  Poloni, enviado especial a Parauapebas | 26/07/2010 05:55
Para chegar à mina de ferro da  Vale na Serra de Carajás é preciso estar pronto para encarar aventuras. A primeira delas começa em Marabá, onde está localizado o maior aeroporto da região e por onde chega boa parte dos visitantes. A estrada de mão dupla e cheia de buracos que leva a Serra dos Carajás tem 150 quilômetros, percorridos em quase três horas de viagem. Ela liga Marabá a Parauapebas, cidade fundada em 1988 e localizada no sudeste do Pará, no pé da Serra dos Carajás. Com mais de 150 mil habitantes, Parauapebas cresce em ritmo chinês à sombra do sucesso da mineradora e viu sua população aumentar 15 vezes nos últimos anos. É lá que mora parte dos funcionários e os prestadores de serviço da mina de ferro – e onde se encontra a primeira portaria para chegar àquela que é considerada a maior mina a céu aberto do mundo.

Foto: Salviano Machado
Mina da Vale em Carajás: paisagem marciana e máquinas gigantes
Depois de se identificar e percorrer mais 15 quilômetros para atingir 700 metros acima do nível do mar, o visitante se depara com uma bifurcação no alto da serra. À esquerda está o Núcleo de Carajás, uma pequena vila construída durante o regime militar e onde vivem cerca de seis mil pessoas, a maioria funcionários da Vale. Erguida em meio à floresta, o vilarejo é cercado por uma grade para evitar que bichos, como onças, ataquem os moradores. Em meio à floresta, o Núcleo, como é conhecido, oferece conveniências aos seus moradores: escola, hospital, supermercado, clube, um cinema com os últimos sucessos do cinema mundial e até um pequeno aeroporto onde opera o AeroVale, apelido do avião da empresa usado por funcionários e visitantes. As casas não têm muro e é comum encontrar portas destrancadas durante o dia. Os imóveis são alugados por valores simbólicos: uma casa de dois dormitórios custa R$ 150 ao mês.
Quem segue à direita na estrada vai encontrar mais uma portaria, a segunda e última antes das minas de ferro. A proximidade das áreas de exploração de minério fica evidente com a mudança na paisagem. As árvores altas e vistosas dão lugar a uma vegetação rasteira, conhecida como canga. Esse tipo de paisagem só é encontrada onde existe uma grande quantidade de minério de ferro no solo. Aliás, foi por causa dela que as minas de Carajás foram descobertas. Em julho de 1967, o geólogo Breno Augusto dos Santos sobrevoava a serra quando o helicóptero teve que fazer um pouso de emergência numa clareira. Santos percebeu que a clareira não era fruto do desmatamento, mas da presença de ferro. Outro indício de que as minas de ferro estão próximas é a presença de uma poeira vermelha. Quanto mais perto da mina, mais ela pode ser encontrada por todos os lados.
As minas de ferro da Vale estão localizadas no meio de uma floresta nativa de 1,2 milhão de hectares, área cerca de dez vezes maior do que o Parque Ibirapuera, em São Paulo. De acordo com a Vale, as atividades de exploração interferem numa pequena parte dela: apenas 2% da área total preservada, que é protegida 24 horas por dia por uma equipe de vigilantes equipada com avião, helicóptero, botes e caminhonetes. A caminhonete, aliás, é o veículo oficial de quem trabalha na mina. A montadora japonesa Mitsubishi até desenvolveu uma série especial da L200 para a Vale. Entre outras coisas, o tanque de água que alimenta o limpador de parabrisa tem um tamanho bem maior do que o normal. O motivo? Ajudar a limpar com mais eficiência e por mais tempo o pó e a lama que ficam impregnados no vidro dos carros.
Antes de entrar na mina é preciso se munir de uma série de equipamentos de segurança, sejam eles pessoais ou coletivos. Os visitantes são obrigados a usar botas para evitar que objetos pesados quebrem os pés. Na cabeça, capacete parecido com os que usam os engenheiros e um colete laranja e com material reflexivo para que todo mundo possa enxergá-lo. No teto da cabine das caminhonetes é instalado um giroflex (desses usados em carros de polícia) e, na caçamba, uma bandeirola com uma haste de cerca de 10 metros de altura. Ela serve para mostrar aos motoristas de caminhões fora de estrada que existem veículos menores dentro das minas. Para dirigir dentro da mina, o motorista precisa de uma licença especial, concedida pela Vale, e deve mostrar a fiscais que todos os equipamentos de segurança estão funcionando.
Duas coisas saltam aos olhos quando se está dentro das minas de ferro da Vale. A primeira é a cor avermelhada da poeira citada anteriormente. Ela está por todos os lados: no chão das ruas, nas folhas das plantas, no solado das botas dos operários, nos carros e máquinas que circulam por todos os lados. Ela deixa a mina com uma aparência marciana, inóspita. A outra é o tamanho dos equipamentos. O que se vê logo de cara são os caminhões fora de estrada. Eles parecem um caminhão basculante, desses usados para carregar pedras, mas num tamanho família. Ao todo, 105 deles circulam pela mina com até 400 toneladas de carga. São 800 mil toneladas de material carregadas num período de 24 horas, suficiente para encher o estádio do Maracanã em um dia. Outras máquinas impressionam pelo gigantismo. Uma recuperadora, usada para estocar minério de ferro, tem a altura de um prédio de 15 andares.
As máquinas gigantes das minas da Vale são peças fundamentais no processo de extração, beneficiamento, estocagem e a expedição do minério de ferro (veja como funciona todo o processo de extração no infográfico acima). Mais de 500 equipamentos estão em operação nas três minas do Complexo de Carajás. A maior dessas minas atende pela sigla N4 e foi inaugurada em 1985 com o objetivo de produzir 35 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano. Passados 25 anos, a N4 viu serem inauguradas outras duas frentes de exploração e ajudou a quase triplicar a produção anual da Vale. Em 2007, a produção de minério de ferro atingiu a marca de 1 bilhão de toneladas. O resultado dessa operação é visível: antes de começar a exploração, as montanhas tinham altura média de 700 metros. Agora, algumas delas têm algo perto de 450 metros de altura.
 
Vale prepara maior expansão da história em Carajás
Ao custo de R$ 19,9 bi nova mina vai produzir 90 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano para atender demanda global
Gustavo Poloni, enviado especial a Parauapebas 26/07/2010 05:55
Vale prepara maior expansão da história em CarajásAo custo de R$ 19,9 bi nova mina vai produzir 90 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano para atender demanda global
Com produção de 240 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano, a Vale é a maior do mundo no setor. Nos próximos anos, a empresa deve se isolar ainda mais na liderança. A empresa está em fase de licenciamento de uma nova mina de ferro.
Batizada de S11D, ela é a considerada a maior da história da Vale. Quando estiver em operação, em 2013, vai despejar 90 milhões de toneladas de minério de ferro ao ano no mercado, mais de um terço da produção de minério de ferro da Vale no ano passado e a mesma capacidade da maior mina a céu aberto do mundo, instalada na Serra dos Carajás, no Pará.
Para tirar o negócio do papel, a mineradora vai gastar US$ 11,3 bilhões (R$ 19,9 bilhões), o dobro de seu lucro em 2009. O alto investimento tem explicação: relatório divulgado na semana passada mostra que, nos próximos cinco anos, o consumo mundial de minério de ferro deve atingir 1,7 bilhão de toneladas ao ano, aumento de 70% em relação a 2010.
Produzido pela Global Industry  Analysts (GIA), o estudo mostra que o aumento no consumo de minério de ferro é puxado pelo crescimento da economia de países emergentes, em especial a China. Entre os setores que mais usam minério de ferro estão o automotivo e a construção civil.
No primeiro semestre deste ano, os chineses compraram 1,8 milhão de automóveis novos, ou quase 60% das vendas de carro no Brasil no ano passado, quando o mercado bateu recorde por causa da redução de impostos. Já no setor imobiliário, o governo chinês estabeleceu como meta para 2010 a construção de três milhões de apartamentos populares. É um número 50% maior do que o previsto na segunda fase do programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal.
A Vale ainda não revela detalhes da nova mina. Sabe-se que ela está localizada em Canaã dos Carajás, cidade de 23 mil habitantes no sudeste do Pará, e que terá quase a mesma capacidade de produção da mina da Vale no Complexo de Carajás. Descoberta em 1967 e inaugurada em 1985, ela foi concebida para produzir 35 milhões de toneladas ao ano.
Foto: Salviano Machado
Mina da Vale em Carajás: investimento de US$ 11,3 bilhões para aumentar em um terço a produção de minério de ferro
Com o crescimento da economia brasileira e os efeitos positivos da globalização, a empresa teve que fazer adaptações na linha de produção para atender à demanda do mercado. As mudanças surtiram efeito. Até o final do ano, a expectativa é de que a produção atinja algo em torno de 110 milhões de toneladas anuais.
Cerca de um terço das 240 milhões de toneladas de minério de ferro produzidas pela Vale no ano passado saíram das minas instaladas na Serra dos Carajás. Isso faz com que o produto seja o mais importante do portfólio da empresa. Em 2009, as vendas de R$ 25,2 bilhões de minério de ferro responderam por pouco mais da metade da receita operacional da Vale.
O fato de ser a maior produtora de minério de ferro do mundo ajudou a empresa a ficar no segundo lugar entre as companhias que mais lucraram no ano passado. Com lucro de US$ 5,5 bilhões, a Vale ficou atrás apenas da Petrobras.
A S11D está em fase de licenciamento e de cotação de equipamentos e serviços. Do total de US$ 11,3 bilhões que serão investidos no projeto S11D, mais da metade será usada para aumentar a infraestrutura e a logística.
A ferrovia de Carajás, usada para transportar o minério até os portos, vai ganhar mais 100 quilômetros de extensão, até Canaã dos Carajás, onde será instalada a nova mina. Já a estrada de ferro atual, que liga Parauapebas a São Luis, no Maranhão, terá 605 dos 892 quilômetros de trilhos duplicados.
Ao mesmo tempo, o Terminal Marítimo de Ponta de Madeira, onde acontece o transbordo do minério de ferro nos navios que levam o produto para o exterior, vai ganhar mais um píer. Até 2015, a capacidade de embarque vai aumentar para 230 milhões de toneladas ao ano, quase o dobro da capacidade atual.
Saiba mais detalhes sobre os caminhões gigantes da Vale
Com capacidade para transportar até 400 toneladas, os veículos fora de estrada transportam 800 mil toneladas de terra por dia
Gustavo Poloni, enviado especial a Parauapebas 26/07/2010 05:55
Quem visita as minas de ferro da Vale em Carajás, no sudeste do Pará, tem a impressão de que está numa terra de gigantes. Nas ruas com o dobro da largura convencional, onde placas de sinalização e semáforos estão instalados a 10 metros de altura, circulam 105 caminhões fora de estrada. Quem se depara com um deles pela primeira vez fica impressionado. Com oito metros de altura, 15 metros de comprimento e rodas que têm o dobro do tamanho de uma pessoa, esses caminhões têm capacidade para transportar até 400 toneladas – o mesmo volume de um avião Boeing 747, que leva em média 415 pessoas. Em um dia, a frota movimenta 800 mil toneladas de carga, suficiente para encher o estádio do Maracanã em apenas 24 horas.
O caminhão fora de estrada é um tipo de equipamento que só pode ser encontrado em lugares como as minas de ferro da Vale. Para entrar em um deles é preciso fazer esforço. A cabine do operador, como são chamados os 525 motoristas do caminhão, encontra-se no alto de uma íngreme escada de 16 degraus. Dentro dela, o conforto é total: banco ergométrico para não cansar o operador (e um improvisado para os caronas), ar-condicionado (num local onde a temperatura faz, em média, 32º Celsius) e duas telas de computador. Elas trazem dois tipos de informação: a primeira é a missão do dia. Ou seja, para qual frente de exploração o operador deve se dirigir. A segunda transmite imagens captadas por uma câmara instalada na parte traseira do veículo e que ajuda o operador a dirigi-lo.
À primeira vista, operar um caminhão fora de estrada não parece difícil. A direção é hidráulica, e o veículo é semi-automático – ou seja, não é preciso pisar na embreagem para trocar de marcha. A velocidade também não assusta: ele atinge apenas 40 quilômetros por hora. A dificuldade está nas dimensões. “A visibilidade é muito ruim”, diz Ádila de Oliveira, 23 anos, que é operadora de caminhão fora de estrada há três anos e que não tinha carteira de habilitação quando foi contratada para trabalhar na Vale. “Às vezes não dá para ver se tem alguma coisa perto do veículo”. O problema de visibilidade já resultou em acidentes. Em 2007, um trabalhador morreu ao ser atropelado por um caminhão fora de estrada dentro de uma mina.
Para evitar acidentes, a Vale tomou uma série de providências. As camionetes que circulam dentro da mina precisam ser munidas de equipamentos de segurança, como giroflex (a luz que fica piscando em cima de carros de polícia) e bandeirolas amarelas presas em hastes de 10 metros de altura e que têm pequenas lâmpadas nas pontas. O motivo? Ajudar os operadores de caminhões fora de estrada a visualizá-los nas ruas e, assim, evitar acidentes. Nos próximos meses, a empresa vai instalar sensores de distância nos caminhões, como aqueles que ajudam motoristas a estacionar seus carros. Tudo para que os operadores possam conduzir os caminhões fora de estrada com mais segurança.
Foto: Salviano Machado
A operadora Ádila ao lado do pneu de um caminhão fora de estrada: carteira de habilitação só depois de arrumar trabalho na Vale
Antes de entrar num caminhão fora de estrada, o operador passa por um treinamento. Além de aulas teóricas, o candidato é submetido a 16 horas dentro de um simulador. Com três telas e um cockpit que simula a cabine, ele lembra um videogame. O banco mexe de acordo com o terreno e a cada erro uma mensagem em vermelho aparece no meio da tela. O aspirante a operador precisa realizar tarefas, como carregar o caminhão. Para ser aprovado, a nota exigida é alta: 86% de acerto. “Além de ser o primeiro contato do operador com o veículo, o simulador ajuda a corrigir deficiências”, afirmou Thalisson Lopes, instrutor de equipamento de mina. “Se ele não sabe manobrar ou bascular ele passa por uma espécie de recuperação”.
Nos próximos meses, candidatos a operadores devem passar pelo teste do simulador. Isso porque a frota de caminhões fora de estrada na mina de Carajás vai ganhar reforços em 2011. A Vale anunciou em maio a compra de 14 novos equipamentos ao custo de US$ 100 milhões. Fabricados pela alemã Liebherr, eles têm capacidade para até 400 toneladas de carga e vinham sendo testados pela Vale desde o ano passado. Com a chegada dos novos caminhões, a capacidade de transporte de carga vai aumentar 20%, chegando a mais de 30 mil toneladas por dia.