Twitter Feed Facebook Google Plus Youtube

26 fevereiro, 2016

O desespero do desemprego



Pneus em chamas


Por enquanto são pneus que ardem para aplacar a revolta e o abandono.















As repetidas paradas de peões na portaria lá pelos idos de 2011 sinalizaram a tragédia atual. Ocorria ali uma quebra de procedimento, o sistema Carajás estava enfraquecido e instalado, não suportava mais os atrativos para trazer e manter o corpo de trabalhadores necessários à fase de implantação de um projeto em área remota. Quebraram protocolos e acertos, revoltando a massa de pessoas que deram sangue e vida ao projeto. Houve as paralisações, houve a revolta. Mas era uma despedida.

Os sindicatos foram pegos de surpresa. Mas quais sindicatos? As negociações não ocorreram com as lideranças tradicionais. Eles estavam pesadas demais, gordas demais com os acordos paralisantes e negociados que fizeram ao longo de anos e anos. Quando intervieram mesmo que tardiamente, mais foi para atrapalhar.  Mesmo porque jamais entenderam o que estava acontecendo e o que estava por vir.

Este por vir é nosso presente hoje – desemprego em massa, queda do preço internacional do minério, inauguração de nova mina com custo muito menor que fatalmente provocará a desativação da velha e cara mina de Carajás, uma questão de tempo.

Desempregados e desconhecedores da nova situação, esses peões gastaram seus recursos com o pagamento das absurdas prestações da casa própria – Buriti, Nova Carajás e investiram em reformas. Não perceberam que a festa tinha acabado, apenas luzes.

Ainda haviam outras oportunidades, o pré-sal no sul, Altamira, a Copa do Mundo e as Olimpíadas, buscando profissionais como alternativa e possibilidade. Muitos partiram logo nos primeiro meses em que não conseguiram se empregar. A grande maioria ficou, tinham obtido aqui o sonho da casa própria, havia a outra promessa da prefeitura de entregar mais cinco mil moradias. Estava firmado o impasse – partir ou ficar. Uma grande maioria partiu e hoje vivem longe, estão trabalhando. Outra grande maioria resolveu ficar. E agora começam a pressionar alguém para dar conta dos empregos que sumiram. Coincide também com a crise nacional e o termino de quase todas aquelas opções listadas acima.

Estão perdidos. Neste terra de ninguém estes desempregados não tem quem os represente. Estão sós e isolados. Avisei ao prefeito ainda em 2013 que antes do primeiro mandato terminar ele teria que contingenciar as famigeradas frentes de trabalho para amenizar o impacto do desemprego em massa. Apenas ceticismo.

Historicamente os trabalhadores daqui nunca tiveram quem guie uma luta por eles.  O ato de terem vindo trabalhar torna quase obrigatório seu silencio e sua retirada quando falta trabalho. Acontece que agora foram vendidas ou doadas casas para eles e suas famílias. Foram convidados  a ficar. 

O pior é que não tem nenhum politico ou pré-candidato interessado nesta crise de desemprego ou em trabalhadores desempregados, até onde eu vejo. Nenhum vereador, prefeito, ação social nada. 

Apenas quando começar o desespero final, é a segunda ou terceira vez que a policia intervém, batendo em trabalhadores desesperados para proteger ação ou inação de governo. Não vi ninguém saindo em defesa desses desesperados. 

Parece que esta difícil entender o desespero de pais de família com dois anos sem trabalho. Os preços não cedem, as prestações não param de vencer. Há uma horda de trabalhadores assustados, irritados e desempregados, todos os dias na porta da bolsa sem apoio algum. Na verdade nunca houve alento ou apoio a quem realmente trabalha em Parauapebas. 

Esses trabalhadores e suas famílias são os eleitores, quem vota. E estão abandonados à própria sorte. 

Nunca mais teremos a pujança desses vinte anos, é estrutural a reforma econômica de Parauapebas, daqui para pior. Os sindicatos eternamente pelegos fingem nada ver e se aquietam, nunca exerceram uma liderança de fato. A empresa de segurança armada da prefeitura está há três meses sem pagar seu pessoal. Guardas armados sem receber salários! 

Alguém precisa encampar a luta por emprego em Parauapebas. Há denuncias que as poucas vagas que surgem são contratados  trabalhadores de fora. As empresas estão transferindo seus peões de outros estados para nossa terra sem lei.

 Temos que implantar a lei das contratações locais o quanto antes. Emprego e renda também é politica, esta briga é uma questão politica e deve ser  entendida assim.