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26 fevereiro, 2016

O desespero do desemprego



Pneus em chamas


Por enquanto são pneus que ardem para aplacar a revolta e o abandono.















As repetidas paradas de peões na portaria lá pelos idos de 2011 sinalizaram a tragédia atual. Ocorria ali uma quebra de procedimento, o sistema Carajás estava enfraquecido e instalado, não suportava mais os atrativos para trazer e manter o corpo de trabalhadores necessários à fase de implantação de um projeto em área remota. Quebraram protocolos e acertos, revoltando a massa de pessoas que deram sangue e vida ao projeto. Houve as paralisações, houve a revolta. Mas era uma despedida.

Os sindicatos foram pegos de surpresa. Mas quais sindicatos? As negociações não ocorreram com as lideranças tradicionais. Eles estavam pesadas demais, gordas demais com os acordos paralisantes e negociados que fizeram ao longo de anos e anos. Quando intervieram mesmo que tardiamente, mais foi para atrapalhar.  Mesmo porque jamais entenderam o que estava acontecendo e o que estava por vir.

Este por vir é nosso presente hoje – desemprego em massa, queda do preço internacional do minério, inauguração de nova mina com custo muito menor que fatalmente provocará a desativação da velha e cara mina de Carajás, uma questão de tempo.

Desempregados e desconhecedores da nova situação, esses peões gastaram seus recursos com o pagamento das absurdas prestações da casa própria – Buriti, Nova Carajás e investiram em reformas. Não perceberam que a festa tinha acabado, apenas luzes.

Ainda haviam outras oportunidades, o pré-sal no sul, Altamira, a Copa do Mundo e as Olimpíadas, buscando profissionais como alternativa e possibilidade. Muitos partiram logo nos primeiro meses em que não conseguiram se empregar. A grande maioria ficou, tinham obtido aqui o sonho da casa própria, havia a outra promessa da prefeitura de entregar mais cinco mil moradias. Estava firmado o impasse – partir ou ficar. Uma grande maioria partiu e hoje vivem longe, estão trabalhando. Outra grande maioria resolveu ficar. E agora começam a pressionar alguém para dar conta dos empregos que sumiram. Coincide também com a crise nacional e o termino de quase todas aquelas opções listadas acima.

Estão perdidos. Neste terra de ninguém estes desempregados não tem quem os represente. Estão sós e isolados. Avisei ao prefeito ainda em 2013 que antes do primeiro mandato terminar ele teria que contingenciar as famigeradas frentes de trabalho para amenizar o impacto do desemprego em massa. Apenas ceticismo.

Historicamente os trabalhadores daqui nunca tiveram quem guie uma luta por eles.  O ato de terem vindo trabalhar torna quase obrigatório seu silencio e sua retirada quando falta trabalho. Acontece que agora foram vendidas ou doadas casas para eles e suas famílias. Foram convidados  a ficar. 

O pior é que não tem nenhum politico ou pré-candidato interessado nesta crise de desemprego ou em trabalhadores desempregados, até onde eu vejo. Nenhum vereador, prefeito, ação social nada. 

Apenas quando começar o desespero final, é a segunda ou terceira vez que a policia intervém, batendo em trabalhadores desesperados para proteger ação ou inação de governo. Não vi ninguém saindo em defesa desses desesperados. 

Parece que esta difícil entender o desespero de pais de família com dois anos sem trabalho. Os preços não cedem, as prestações não param de vencer. Há uma horda de trabalhadores assustados, irritados e desempregados, todos os dias na porta da bolsa sem apoio algum. Na verdade nunca houve alento ou apoio a quem realmente trabalha em Parauapebas. 

Esses trabalhadores e suas famílias são os eleitores, quem vota. E estão abandonados à própria sorte. 

Nunca mais teremos a pujança desses vinte anos, é estrutural a reforma econômica de Parauapebas, daqui para pior. Os sindicatos eternamente pelegos fingem nada ver e se aquietam, nunca exerceram uma liderança de fato. A empresa de segurança armada da prefeitura está há três meses sem pagar seu pessoal. Guardas armados sem receber salários! 

Alguém precisa encampar a luta por emprego em Parauapebas. Há denuncias que as poucas vagas que surgem são contratados  trabalhadores de fora. As empresas estão transferindo seus peões de outros estados para nossa terra sem lei.

 Temos que implantar a lei das contratações locais o quanto antes. Emprego e renda também é politica, esta briga é uma questão politica e deve ser  entendida assim.

23 fevereiro, 2016

Depois melhora?



EXODUS
Parauapebas enfrenta na sua curta historia a definitiva revisão de desenvolvimento e razão de existência. Faltam lideranças e preparo. Falta o posicionamento da VALE sobre sua responsabilidade no nosso destino. Segunda e ultima parte.

Sempre que alguém daqui vai embora
Dói bastante mas depois melhora e com o tempo
Vira um sentimento que nem sempre aflora mas que fica na memória
Depois Melhora, Nei Matogrosso








Parauapebas abriu mão em definitivo dos recursos federais. A construção da UPA é um exemplo. Renegou-se a utilização do dinheiro da Saúde e optou-se por usar recursos próprios. Agora mesmo se perdeu quase um bilhão para saneamento por entraves de poder, motivos banais. Com a queda geral na arrecadação federal, estes recursos estão minguando. Localmente, a saída das empreiteiras foi compensado por pagamentos vencidos e por ora quitados pela mineradora. A mesma mineradora VALE que não pára de nos dar noticias ruins e limitantes, com forte tendência a deixar Parauapebas a cada dia mais pobre.

Há pagamentos para a cidade. Mas não há a correta aplicação desses recursos repassados, sendo perdido grande parte deles em “amizades” e corrupção. Evasão de recursos.

Agora temos uma cidade em colapso. A despeito dos últimos trinta anos de história não temos saída ou salvação, nós estamos naufragando feio e perdemos o  bonde da história. 

Os sinais do colapso são evidentes e preocupantes: estagnação da atividade comercial, com lojas de referencia fechando as portas, encerrando trabalhos. Há dispensa constante de pessoal nas grandes lojas de capital local, como os 240 dispensados  do Hipersenna. O tíquete de compra não cessa de reduzir em todo o comercio. As prestações imobiliárias viraram calote, ninguém paga porque não pode, justamente num momento em que se reduz o orçamento estes mesmo loteamentos passam à gestão da prefeitura.

EXODUS
Resta a população desempregada e sem perspectivas de emprego, sair da cidade. Neste quesito estamos enfrentando um verdadeiro êxodo, ou como digo, o primeiro refluxo populacional da cidade. A grande maioria tem ou teve alguém que partiu atrás de trabalho. Imóveis vazios, imóveis abandonados, creches sem crianças, salas de aula esvaziando. Pessoas indo embora e deixando sonhos e planos para trás. Qual será o preço dessa saída em massa?

20 fevereiro, 2016

De tres laranjas, uma se perdeu, foi tirada



EXODUS
Parauapebas enfrenta na sua curta historia a definitiva revisão de desenvolvimento e razão de existência. Faltam lideranças e preparo. Falta o posicionamento da VALE sobre sua responsabilidade no nosso destino. Leia em duas partes.













O que aconteceu que o dinheiro desapareceu de Parauapebas tornando todas as atividades econômicas e a capacidade geral de pagamento minguar a ponto de quase paralisar tudo? O que faremos para inferir sobre esta nova realidade E com ele aprender algo? Transportando este conceito para nossa pessoalidade, o que podemos aprender com esta situação?

Preços aumentaram em todo o Brasil, mas aqui foi pior e mais perceptível. Juros bancários aumentaram, tudo ficou mais caro e impossível. Já não vivemos com a relativa folga de alguns anos atrás.

O mesmo esta acontecendo com Parauapebas. O orçamento aprovado este ano é 32% menor que do ano passado. Significado? O maior pagador local reduziu em 32% sua capacidade de investimento e de custeio. Significado? Um terço do que foi feito em 2015 não será possível em 2016. A cidade reduziu em um terço sua liquidez corrente, sua capacidade de pagamento e seus compromissos anteriores também não serão cumpridos em 32%. Isto não é pouco, de três laranjas na mesa, uma estragou, se perdeu.

Ocorre que desde 2012 Parauapebas vem perdendo liquidez conquanto agente econômico. Naquele momento, precedido pelas paralisações na portaria da Cidade Nova, ocorreu um ajuste macro para baixo, diminuindo nossa capacidade de assumir e honrar compromissos. Em reuniões com o prefeito nos o alertamos, apresentando a necessidade imediata de contenção orçamentaria já criando um fundo para a crise que estava chegando. Mas numa cidade de pioneiros não tem jeito, é tudo na faca e na bala. Nada foi feito.
Continua...

15 fevereiro, 2016

Uma cidade contando o tempo e migalhas, Parauapebas



POBRE
PARAUAPEBAS II
CONTINUAÇÃO
Não é justo dar ouro em troca de papel. Mesmo quando este papel é dinheiro. Ouro troca-se por ouro ou por material de valor, de igual peso. E quando a corrupção é combatida com determinação.

Há décadas Parauapebas desafia as normas do pais e suas crises, crescendo sem parar. O grandioso projeto Carajás foi planejado para 400 anos! Todos entendiam que este crescimento espetacular duraria varias vidas inteiras. Só que o capital é falso, mente e a tecnologia é um desafio constante a inteligência dos homens. Jamais serão sequer 70 anos, como a própria predadora assumiu. E o pior, com uma mina virgem a 75 km não é necessário grande inteligência para saber o enredo e o gran finale. Esta é uma das razões pela qual já estamos a ver navios...











Os empresários, estas graças divinas, egoístas, incompetentes e perversos, entendem uma única equação financeira – preços altos, margens absurdas e folgadas, pequenos golpes e despreparo. Poucas vezes vivi entre “empresários” mais selvagens, arrogantes e ignorantes – incapacitados. Seu crescimento não foi por mérito, por espaço. Havia uma demanda absurda e insustentável por tudo. Por tudo, naquelas áureos tempos.


Oferecemos serviços aos grandes empresários. Foram unânimes com não. Não precisa. Conhecemos este desenvolvimento fake, passageiro, viemos de Minas.  Mas não e não. Ninguém pensou no futuro, chegaram a falar em loucuras que isto ou aquilo jamais aconteceria. Mesmo quando o maluco do Darci e aqueles malditos vereadores permitiram o inchaço exponencial de um vilarejo pobre e sujo, transformando-o numa ampla e espalhada praça urbana, ninguém quis escutar, é insustentável, podemos frear isto ou aquilo.

Delloite, Diagonal Urbana, Grupo Abril e tantas outras “grandes consultorias” vieram as nossas barbas vender sonhos mofados. Tiveram compradores e agora provam de seu próprio veneno.

Esse shopping não deveria existir, não temos fluxo financeiro para sua manutenção neste patamar de preços, emprego e renda. Não temos fluxo financeiro local para nada que esta ai. Acredito em lavagem de dinheiro, em golpes como o perpetrado pela Buriti e Bradesco com recursos do fundo de Pensão da Petrobras.

Fizemos um amplo estudo no Shopping e recomendamos sua alienação ao antigo proprietário. Acharam estes idiotas com dinheiro sobrando e totalmente cegos frente a realidade de Parauapebas, uma meia cidade, atolada em dividas monumentais e repleta de desempregados retirantes. Com enorme ignorância e dinheiro sobrando de outras transações, reformaram, aumentaram preços, inviabilizaram ainda mais o já inviável. Shopping de localidade é para servir determinada região. O em torno da WTorre, naquela situação já falida em São Paulo. Nem um supermercado foi inserido como ancora naquele tempo. Nenhum hospital ou posto de saúde fora construído para suporte, nem mesmo uma escola. Maluquice.

Não entendemos como Lojas Americanas e as outras ancoras ainda resistem. A Loja Avenida já vai tarde, tamanha a incompetência de sua gestão. Alias, incompetência é uma palavra doce frente ao tamanho desvario de virem para um arremedo de shopping numa cidade sem agua, rede de esgoto, energia elétrica confiável, mão de obra merecedora ou capacitada. Merecem cada grau do fogo que sentem neste inferno. Mesmo empresas “tradicionais” como Lojas Leolar ou Armazém Paraíba carecem de gestão profissional ou fundamento na sua contabilidade gerencial, fiscal e tributaria. A maioria não sabe se tem recursos ou se devem seu patrimônio, não prezam por profissionalismo ou análise, são pioneiros. Acostumados ao punhal e a bala acreditam em si com excessiva confiança. Não irão sobreviver. Veremos o hoje shopping  ser abandonado, se transformando em algo que nem se imaginou. Em 2011 sugerimos aos então proprietários sua  transformação num hospital hotel ou centro de saúde regional.
Em breve aquela região será um cenário de devastação. Gradativamente as famílias abandonarão o sonho impossível da casa própria, precisarão de comida e dinheiro e irão atrás. O abandono da prefeitura, sobrecarregada por corrupção e custeio crescentes matara primeiro a periferia, depois os locais mais movimentados. O refluxo populacional aumentará o abandono  de edificações e aparelhamento publico. O sistema de agua e esgoto jamais serão construídos cobrindo toda a cidade. 

 O mesmo trágico e já administrável destino terão as duas torres inúteis e desnecessárias, a enorme, branca e racista loja Havan, os excessivos e cartográficos postos de combustível, o incompreensível hotel Arcor e todos os demais excessos cometidos num vilarejo sujo e sem futuro. O mesmo fim dos grandes, caros e mal iluminados supermercados, Hiper Senna (2! Lojas), Matheus (com enorme desperdício de recursos inicial), Macri (se não ficarem quietos ali, sem movimento) e o fadado a falência e limitado Farturão. 

Nada ou ninguém poderá impedir ou protelar este futuro suicida, já virando realidade. A inercia da ignorância e capacidade de renovação é um câncer instalado há trinta anos!
 Alias, estamos nos rendendo ao futuro: não inventamos nada, as custas da VALE morremos. Seremos em pouco tempo mais um vilarejo como Redenção, Xinguara, Eldorado. O futuro chegou. Viva o passado.